Abandono de animais: um problema diário

O abandono de animais é um problema visível em todo o Brasil. Cães e gatos são abandonados em ruas e estradas todos os dias.

Segundo a Sociedade União Internacional de Proteção dos Animais, nos meses de janeiro e fevereiro, época de férias, o número de animais abandonados cresce até 70 %. Em muitos casos, as famílias simplesmente abandonam os animais para viajar sem preocupações.

A estimativa é de que apenas um em cada dez cães abandonados consegue um novo lar. O caso dos gatos é ainda pior: apenas um a cada 28 é adotado novamente.

Além de sofrer traumas psicológicos, esses animais, muitas vezes, são atropelados ou morrem de fome, além das doenças que contraem sem os cuidados necessários. O veterinário Ricardo Pismel explica que o abandono pode trazer muitos problemas ao pet, mesmo depois de adotado novamente.

“O animal fica com a alimentação prejudicada. A alimentação dele vai acontecer se alguém jogar alguma coisa ou um alimento que ele ache na rua, procure em lixeiras. E muitas vezes acaba ingerindo alimento que não é adequado para o consumo dele. O animalzinho sofre, pode entrar em depressão e ter uma serie de distúrbios pelo abandono, por perder o lar, por perder o local que é a referência dele.”


Foto: Larissa Bezerra

O veterinário também explica que há outras situações ruins que podem acontecer, como atropelamentos, brigas com outros animais, pessoas que maltratam porque eles acabam entrando nas casas em busca de comida, entre outras.

O artigo 32 da lei de crimes ambientais nove mil seiscentos e cinco, de doze de fevereiro de 1998, considera crime o abuso, maus-tratos ou ferimento de animais domésticos. A pena para o descumprimento da lei é detenção de três meses a um ano e multa.

Em Maringá, um projeto aprovado na Câmara neste ano, deixou essa lei um pouco mais rigorosa. Ouça a explicação do vereador Flávio Mantovani.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, só no Brasil existem mais de 30 milhões de animais abandonados. Em cidades de grande porte, para cada cinco habitantes há um cachorro. Destes, 10% estão abandonados.


Foto: Gabriel Brunini

De acordo com a diretora da ONG Arca, Isabela Lembe, existem várias soluções possíveis para esse problema, como a castração e aumento da pena para maus tratos.

“Essa pena deveria ser muito mais, às vezes eles conseguem pagar só por meio de cestas básicas. Também precisaria existir em todos os lugares uma alternativa para as pessoas que não tem condições financeiras para levar seus cachorros para castrar, em especial as fêmeas/ que é para fazer um controle populacional.”

Alguns municípios, como Maringá, já fazem essa castração gratuita, mas isso acontece em uma parcela muito pequena de cidades.

A adoção de animais ao invés a compra também é um ótimo caminho para melhorar a situação. Animais comunitários, como a Saop e a Nina, também são resgatados das ruas. Algumas iniciativas costumam ser tomadas nas cidades para ajudar, como ONGs de proteção animal ou ações de protetores independentes, mas nem sempre é suficiente.

Vale lembrar que um animal vira-lata pode ser tão carinhoso quanto um de raça. Quem adota não se arrepende, como é o caso da Keuna Amanda.

“Eu tenho quatro cachorras: Kessi, Yuka, Nina e Mel. A melhor parte é quando eu chego em casa e elas vem, pulam em cima de mim, querem brincar, querem passear. Isso não tem preço. pode ser de qualquer raça, eles vão te amar.”

Assim como ela, muitas outras pessoas amaram adotar um pet. Veja alguns depoimentos:

Imagens: Maria Eduarda Martins

Se você ficou interessado em adotar, veja algumas dicas para que tudo dê certo nesse processo.

(Clique na imagem para aumentar o tamanho) Por: Ana Carolina Martins Prado

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